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Aspectos
bioclimáticos de Cabo Verde
Objectivo:
Conhecimento das características e mecanismos do
clima do arquipélago, aspectos da sua evolução
recente e impactos nas actividades humanas.
Executante:
Ezequiel Correia
Fase
actual: . Análise da distribuição
espaço-temporal da precipitação nas
"ilhas agrícolas": Santo Antão,
São Nicolau, Fogo e Santiago.
. Análise da estrutura da atmosfera, dos mecanismos
de circulação e de tipos de tempo durante
a estação das chuvas.
Publicações:
(1993)
- Condições climáticas para o
turismo balnear em Santiago (Cabo Verde): aplicação
de duas classificações. Garcia de
Orta. Série de Geografia, 14 (1-2), 41-56.
(1994) - Estudo agroclimático da cultura
do milho na ilha de Santiago (Cabo Verde).
Lisboa, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa,
195 pp., policopiado (Dissertação de Mestrado
em Geografia Física e Regional - Climatologia).
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«(..)
O volume de precipitação que se regista
anualmente na ilha de Santiago é relativamente
modesto, raramente suficiente para proporcionar boas condições
para o desenvolvimento da cultura do milho, em particular,
nas áreas mais baixas e nos flancos ocidentais
dos maciços.
As
áreas mais chuvosas situam-se no interior da ilha,
ao longo do "eixo" central constítuido
pelos dois maciços montanhosos, Pico da Antónia
e serra da Malagueta e pelo planalto de Santa Catarina;
sobretudo nos topos e nos flancos setentrional e oriental
dos maciços e na parte meridional do planalto.
No
topo da serra da Malagueta a precipitação
mediana anual ascende a 673 mm. Nas outras áreas,
no entanto, o volume de precipitação recebido
anualmente é bastante inferior.
(..)
Confirmando a importância fundamental da exposição
como factor de distribuição da precipitação
na ilha, a par da altitude, verifica-se que nos flancos
ocidentais dos maciços o volume recebido é
substancialmente menor.
(..) Sobressaem igualmente as áreas setentrionais
dos maciços, beneficiadas por volumes de precipitação
relativamente próximos dos registados nos sectores
orientais. (..)»
(1996)
- Contribuições para o conhecimento do
clima de Cabo Verde. Garcia de Orta. Série
de Geografia, 15 (2), 81-107.
(no prelo) - Condições pluviométricas
para a cultura do milho na ilha de Santiago (Cabo Verde).
Lisboa, Instituto de Investigação Científica
(clique
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«(..) O período de chuvas úteis está
sujeito a uma distribuição bastante irregular
da precipitação, sobretudo até ao
2º decêndio de Agosto e a partir do 3º
decêndio de Setembro. Esse facto, conjugado com
a fraca probabilidade de haver precipitação,
coloca a cultura sob a perspectiva da ocorrência
de períodos secos prolongados, extremamente prejudicias
nas fases de desenvolvimento vegetativo.
Os
riscos de ocorrerem períodos consecutivos sem precipitação
útil, durante o período de chuvas úteis,
são bastante elevados.
As
classes extremas das sequências secas são
as mais frequentes, embora em períodos distintos:
a possibilidade de um dia integrar uma sequência
seca superior a 30 dias ultrapassa os 50% até ao
início de Agosto; as sequências inferiores
a 6 dias, são as mais frequentes entre meados de
Agosto e final de Setembro, o núcleo do período
de chuvas úteis. (..)
O
início do período de chuvas úteis
decorre de uma forma que acarreta sérios riscos
para a cultura, que pode vêr interrompido o processo
de germinação. Como se viu, dificilmente
suportará um período seco superior a 5 dias
sem entrar em stress hídrico (..)».
(no prelo) - Sobre a variabilidade da precipitação
e o "tempo das águas" em Cabo Verde.
Garcia de Orta. Série de Geografia, 16 (1).
«(
)
A ocorrência de maus anos agrícolas por um
período tão longo, reflecte a ocorrência
de alterações sensíveis na precipitação
em Cabo Verde, tanto em volume como na sua distribuição.
(clique para expandir a imagem)
Pode
tomar-se como exemplo a precipitação registada
entre 1941 e 1990 em três postos pluviométricos
situados nas áreas mais chuvosas e/ou de predominância
da cultura do milho nas ilhas mais importantes do ponto
de vista agrícola.
Coincidindo
com o que se passou no Sahel continental, a partir de
1968 registou-se uma acentuada diminuição
da precipitação anual. Nas últimas
duas décadas os seus valores passaram a situar-se
em cerca de metade, ou menos, dos registados durante a
década de 50, período de "bons"
anos agrícolas. Particularmente graves, foram os
períodos de 1968 a 1973 e de 1981 a 1983, quando
a precipitação foi inferior em mais de 50-70%
à precipitação mediana do período
1941/1990.
Para
além da escassez global de precipitação
deve salientar-se a ocorrência de significativas
alterações na fisionomia da estação
das chuvas, porventura o aspecto mais importante para
a cultura. (..)»
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